Os estatísticos e economistas também costumam classificar como população em idade ativa (PIA) todos aqueles que entraram na faixa etária acima dos 10 anos de idade. O que significa em termos econômicos que as pessoas já poderiam exercer uma atividade econômica remunerada ou não a partir dessa faixa etária. Os que têm a sorte de estar estudando, aposentado ou apenas serem donos de casa compõem os chamados inativos. A diferença entre a PIA e os inativos corresponde à população economicamente ativa (PEA). No século XXI, a taxa média da PEA oscila entre 61 e 62 por cento da PIA.
Em 2003, a pesquisa nacional por amostra de domicílios (PNAD), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), estimou a PEA em 88.774 mil, dos quais 9,7% estariam desocupados, ou não encontravam emprego no mês anterior à pesquisa, geralmente setembro, o que equivaleria a 8.627 mil pessoas sem emprego. Cinco anos depois a população de desempregados teria caído para 7,1% dos 99.500 mil da PEA de 2008. À primeira vista, um resultado extraordinário ao se considerar que a PEA teria crescido a uma taxa de 2% ao ano no período de 2003 a 2008. Entretanto, quando se compara os números da PNAD com os saldos anuais registrados no cadastro geral de emprego e desemprego (CAGED) do ministério do trabalho e emprego, o desempenho real do mercado de trabalho brasileiro não parece ser tão vigoroso assim.
Pelo CAGED, entre janeiro de 2003 e janeiro de 2008, o Brasil teria gerado um saldo de 7.129.875 novos postos de trabalho formal, o que seria insuficiente para atender os 10.726 mil que teriam ingressado no mercado de trabalho neste período, segundo o IBGE. Nos cinco últimos anos avaliados pela PNAD, a diferença alcança cerca de 3.596.125 empregos formais a menos do que o necessário para atender o crescimento da PEA. Logo, ao invés dos 7,1%, deveríamos ter cerca de 12% de desocupados em 2008, considerando os 8.627 mil desempregados de 2003 somados aos 3.596.125 sem empregos no CAGED divididos pelos 99.500 mil da PEA de 2008.
Uma projeção desses dados para 2010 indicaria, por sua vez, uma taxa atual de 12,8% de desemprego no país (os 8.627 mil desempregados de 2003 somados aos 4.608.768 sem empregos no CAGED de janeiro de 2003 a janeiro de 2010, divididos pelos 103.075.332 da PEA projetada para este ano). Essa taxa está próxima dos valores apurados pela pesquisa de emprego e desemprego (PED) da Fundação SEADE/DIEESE (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos SocioEconômicos).
A distorção observada no instituto do governo ocorre devido aos critérios precários do conceito de emprego definido pelo IBGE, que não levam em conta o desemprego oculto, que subjaz ao desalento de quem desiste de procurar emprego por não haver vagas suficientes disponíveis no mercado de trabalho formal. Supondo que sejam corretos, os números apontados pela PNAD representariam na verdade um forte incremento da informalidade, ao contrário do que alardeia a propaganda demagógica, com intuitos eleitoreiros, do governo federal. A insistência do IBGE em manter a sua metodologia subjetiva nas amostragens domiciliares alimenta a política incompetente do governo de incentivo à geração de empregos, enquanto impede que medidas eficazes sejam tomadas por quem está de fato interessado em melhorar as condições de trabalho da população brasileira. Razão pela qual se deve desconfiar muito das reais intenções dos políticos quando apresentam seus números favoráveis em ano eleitoral, sem o necessário acompanhamento de uma análise criteriosa por parte de auditores sérios e independentes.
Fontes:
DIEESE. Pesquisa de Emprego e Desemprego. Arquivo disponível na Internet via www.dieese.org.br/ped/metropolitana.xml#
IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios: Síntese de indicadores 2008. – Rio de Janeiro: IBGE, 2009.
____. Sistema IBGE de Recuperação Automática. Arquivo disponível na Internet via www.sidra.ibge.gov.br/
MTE. Cadastro Geral de Empregados e Desempregados: Evolução do emprego. Arquivo disponível na Internet via http://estatistica.caged.gov.br/
