Paideia
Arquivo da categoria: neo-pitagorismo
O Cristo Pagão

Os símbolos pagãos foram adaptados de modo conveniente para uma melhor infiltração na mente do pensamento antigo remanescente.
O final do primeiro período de atividade filosófica criativa e com rigor intelectual foi marcado por uma sucessão de crendices e superstições. Durante o Helenismo, o centro geográfico dos principais polos de divulgação de ideias retornou à Ásia menor que alternava com o norte da África – notadamente Alexandria – como local de origem dos filósofos de maior expressão de então. Em Tyana, na Capadócia, surge entre 40 e 97 a mitológica pessoa de Apolônio, um neo-pitagórico que, como seu antigo mestre, nada deixou por escrito. Sabe-se apenas que fundara em Éfeso uma escola dedicada ao pitagorismo na mesma época em que Paulo de Tarso (cc. 67) instava os anciãos da igreja a perseverarem no arcebispado que em Éfeso seria instalado.
“Assim, pois, creio que, sobretudo, se oferece o culto conveniente à divindade, e que unicamente o homem consegue mantê-la propícia e benévola para si mesmo em todas as circunstâncias, se ao Deus, a que chamamos Primeiro e que é Único e separado de todas as coisas e que os outros sejam reconhecidos inferiores a Ele, antes de tudo não se lhe ofereçam sacrifícios, nem se acenda fogo nem se consagre absolutamente nenhuma das coisas sensíveis em sua honra; pois Ele não tem necessidade de nada, e, além disso, excetuando-se os seres melhores do que nós, não existe nada, sejam plantas produzidas pela terra, sejam animais nutridos por ela ou pelo ar, que não se achem manchados e contaminados por alguma sujeira. Usa para com Ele sempre o discurso melhor, aquele que não se exprime pela boca, e invoca o seu bem, que é o melhor dos seres, por meio do que há de melhor em nós. E este é o intelecto, que não necessita de um órgão” (Fragmento de Apolônio apud EUSÉBIO, Preparação Evangélica, IV, 13)
