A Miséria dos Estatísticos

Linha da Miséria

Número de miseráveis no Brasil mudou pouco desde 1990, deixando o país longe de atingir a primeira meta do milênio

Os 16,2 milhões de brasileiros miseráveis, vivendo com menos de US$1,25 atuais, que o governo da organização criminosa no poder desde 2002 reconhece, correspondem agora a 8,5% da população de mais de 190 milhões, contada no censo de 2010. É um número 60% maior do que os 5% estimados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2009. Além disso, deixa o Brasil longe da meta de 5,86% que deveria atingir em 2015, conforme o compromisso assumido com a Organização das Nações Unidas (ONU), ao assinar a declaração de metas para o milênio em 2001. A primeira meta compromete os países a reduzirem pela metade o número de pessoas sobrevivendo com menos de US$1,00 em 1990, época que subsistiam no Brasil cerca de 17,2 milhões de brasileiros nesta condição – 11,73% do total da população de aproximadamente 147 milhões.

Em 2001, a porcentagem já havia sido reduzida para cerca 6,7%, quase 11,5 milhões de miseráveis em uma população de 173 milhões. Desde então, quando a atual organização criminosa tomou o poder, muita propaganda mentirosa e programas assistencialistas foram lançados alardeando o fim da fome e da miséria no Brasil. Mas agora a segunda gestão desta mesma organização tem de enfrentar a realidade da miséria que, ao invés de diminuir, aumentou em números absolutos e relativos em relação a 2001. Os dados foram recolhidos pelas Fundações estatais Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Getúlio Vargas (FGV) e derrubam de vez a falaciosa queda na linha de miséria e o aparecimento de uma nova classe média.

De fato, o que vem acontecendo é um incremento menor no número de miseráveis em relação ao crescimento populacional, o que pode ser explicado pela alta taxa de mortalidade entre jovens negros e nordestinos que compõem a maioria dos miseráveis brasileiros, seja pela violência ou péssimas condições sanitárias do Brasil, menos por um falso sucesso de planos assistencialistas demagógicos.

Fonte:
FGV. Miséria, Desigualdade e Estabilidade. – Rio de Janeiro: FGV, 2006. Disponível na Internet via http://www.fgv.br/ibre/cps.

IBGE. Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios. – Rio de Janeiro: IBGE, 2009. Disponível na Internet via http://www.ibge.com.br/
Jornal Estado de São Paulo. Disponível na Internet via http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,plano-de-dilma-para-erradicar-pobreza-tem-16-milhoes-de-brasileiros-como-alvo,714457,0.htm

ONU. Resolución A/RES/55/2: Declaración del Milenio. 8 de setembro de 2000.

SILVA, Antonio R. da. A Primeira Meta do Milênio. Disponível na Internet via http://www.discursus.250x.com/forum/metamfor.html

Queensland

Austrália

O estado de Queensland, na Austrália, teve poucas baixas, apesar de sofrer a pior enchente de sua história.

Menos de um ano depois da tragédia político-ambiental que atingiu a cidade de Niterói, no estado do Rio de Janeiro, onde cerca de 50 casas foram soterradas pela avalanche de lixo em que estavam assentadas, nova tragédia volta assolar o estado brasileiro. Dessa vez, o desastre político-ambiental veio a ocorrer na região serrana do Rio de Janeiro, matando mais de 500 pessoas. Entre uma tragédia e outra, a organização criminosa que tomou o poder em 2003 conseguiu eleger sua candidata fantoche à presidência do país, enquanto reelegeu o governador fluminense com quem mantém conluio.
O estado do Rio fica entre o trópico de Capricórnio e o paralelo 20 sul. Do outro lado do globo, na Austrália, o estado de Queensland tem larga fatia de seu território cortada pelos mesmos paralelo 20 e trópico de Capricórnio. Em Queensland, estão a Cordilheira Australiana (Divinding Range) e a Grande Barreira de Corais – fortemente ameaçada pela poluição dos mares e pelo aquecimento das águas oceânicas. Este ano, o estado australiano sofreu com tufões e a maior enchente de sua história. Diferente do Brasil, no entanto, em Queensland, morreram menos de 50 pessoas e os danos em sua maior parte foram materiais.
A Austrália possui a 13ª economia mundial de 2009, com renda per capita de US$42.279. O Brasil jacta-se de ser a oitava economia, embora sua renda per capita de US$8.121 seja menor que a média mundial que é de US$8.581. Como agravante, o Brasil tem uma péssima distribuição de renda – metade da população ganha menos de US$5 mil ao ano, sendo um dos 10 países mais desiguais do mundo. Por conta disso, o Brasil ocupa a 73ª posição no índice de desenvolvimento humano (IDH), ao passo que a Austrália é o segundo país com melhor qualidade de vida no planeta.
Além de todas essas diferenças, a Austrália não permite que sua população cresça sem controle. Há muito que seus vizinhos neozelandeses conhecem a política do “crescimento zero”, que implica em sustentabilidade e responsabilidade fiscal com consideração social. Também se esforçam para impedir que governos corruptos e demagogos prosperem por muito tempo.
No Brasil, bem ao contrário dos principais países da Oceania, a população cresce desordenadamente nas favelas que proliferam até mesmo em pequenas cidades, sem qualquer infraestrutura que atenda o adensamento populacional. Em meio a tudo isso, prospera o governo corruPTo e incompetente de um partido acusado de ter formado uma organização criminosa para assaltar os cofres públicos. Eis a razão para os recordes sucessivos de calamidades públicas no país do carnaval e do futebol. Afinal, como diria o líder molusco, “nunca na istora dessi paiz…”

A Verdadeira Herança Maldita

Igreja da Penha

Igreja da Penha: ponto turístico do subúrbio do Rio de Janeiro, usado por bandidos para causar o terror no bairro da Penha

O desastre na educação e na saúde promovido pelo conluio entre governos corruptos e incompetentes, no Rio de Janeiro, repete-se mais uma vez na segurança dos cariocas. O resultado de oito anos de demagogia e negligência reflete-se no caos urbano vivido pela enésima vez na cidade do Rio de Janeiro, onde a favelização só faz crescer, a despeito das mentirosas estísticas de redução da miséria no país.

Enquanto isso, permanece como letra morta os segundos e terceiros incisos do primeiro parágrafo do artigo 144 da Constituição de 1988 que diz que a polícia federal destina-se a “prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o contrabando e o descaminho, [...] exercer as funções de polícia marítima, aérea e de fronteiras”.

Retrato da Saúde e Educação

Hospital S. Francisco de Assis da UFRJ

Governo negligente promete obra de fachada para hospital universitário

O conluio entre governos negligentes e incompetentes das esferas municipal, estadual e federal levou à bancarrota o sistema público de saúde no Rio de Janeiro. Enquanto o hospital do Fundão (Clementino Fraga Filho), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) vai literalmente caindo aos pedaços, outro hospital da mesma instituição de ensino, o Hospital São Francisco de Assis, mofa à espera de uma prometida obra de fachada que seria realizada pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), já que nem o ministério da educação, nem o ministério da saúde se prestam para fazer a manutenção de hospitais universitários. Por conta disso, o baixo nível de formação de médicos e a carência de especialistas em diversas áreas já se tornou evidente.
As mentiras reiteradas dos governos demagogos e a ignorância de boa parte da população deixam tranquilas as gestões irresponsáveis dos governos, na certeza da impunidade e o “prêmio” de reeleições sucessivas. Não por acaso, tais demagogos têm o apoio da maioria nos locais onde a taxa de analfabetismo é maior. A queda na qualidade dos serviços públicos de saúde está diretamente relacionada aos baixos índices de educação da população. O ciclo vicioso que leva à destruição do estado democrático de direito e do bem estar social, refletida nos recordes de epidemias de dengue, incidência da lepra e ascenção de novas doenças como a gripe suína.

Arte Engajada

 Auto-retrato matando Lula

Auto-retrato matando Lula: Carvão sobre papel, 200x150 cm, 2005

Desde 2005, a série de desenhos “Inimigos” de Gil Vicente vem sendo exposta no nordeste do Brasil, sem causar grande repercussão nacional. Mas agora que vai ser apresentada na 29ª Bienal de São Paulo, os oportunistas tentam até censurá-la.

Auto-retrato matando Fernando Henrique Cardoso

Auto-retrato matando Fernando Henrique Cardoso: Carvão sobre papel 200x150 cm, 2005

Na China, os corruptos recebem uma bala na nuca paga pela família, quando são condenados. No Brasil, ao contrário, os políticos corruPTos e DEMagogos são eleitos e reeleitos. Além de contar com ajuda de “bons adevogados”.

Veja os quadros de Vicente que o “Sul Maravilha” quer censurar em:

http://www.gilvicente.com.br/inimigos.html#

Demagogia à Brasileira

PAC Alemão de 1933

Famoso lider demagogo inaugura obra de seu PAC. Fonte: UPI, 1933

Aristóteles (384-322 a.C.) foi o primeiro a denunciar o caráter perverso dos líderes demagogos (“guias do povo”). Em sua A Política, definiu-os como “aduladores do povo” [Veja ARISTÓTELES, A Política, 1292 a e 1313 b]. Nos regimes democráticos, tais aduladores aparecem com o propósito de conquistar e manter o poder em nome de um grupo ou mesmo com objetivo pessoal, ao invés de defender o interesse geral do país. A atuação demagógica, por conseguinte, é a que mais contribui para deformação da democracia. Uma vez no comando dos governos, os demagogos tratam de corromper a oposição para que possam instituir leis injustas, quando não podem simplesmente governar por decretos – instrumento pelo qual procuram tomar conta de tudo, a fim de conduzir o povo.

“Disso resulta que eles se tornam fortes, porque o povo é senhor de tudo e eles próprios são senhores da opinião da turba, que só a eles obedece” (ARISTÓTELES, Op. cit, 1292 a)

Nesse tipo de democracia não há mais república, pois para tanto é preciso que a autoridade da lei seja soberana e não a dos decretos que jamais alcançam a força geral da lei. Assim, a tirania também nasce da democracia mais degenerada, onde os princípios da igualdade política e da liberdade são violados. Como aponta Giampaolo Zucchini, no verbete “Demagogia” do Dicionário de Política de Norberto Bobbio (1909-2004), governos populares despóticos voltam-se contra a oposição fragilizada, acusada de ser inimiga do povo e da pátria, para distrair as massas de seus reais compromissos. Depois de eliminar toda oposição, seja pela corrupção, seja por intimidação, a posse do poder acaba por consolidar-se.

“Nessas condições, os demagogos arrogam-se o direito de interpretar os interesses das massas, chamando a si todo o poder e a representação das massas, instaurando uma tirania ou ditadura pessoal” (ZUCCHINI, G. “Demagogia”, in BOBBIO, N. “Dicionário de Política”, p. 319).

Na era contemporânea, entretanto, antes de transformar o regime democrático em um governo totalitário, a propaganda demagógica exerce o papel crucial de substituir e mesmo isolar o público de outras fontes de informação que possam contradizer as mentiras anunciadas em favor do governo. Eis um exemplo típico citado por Hannah Arendt (1906-1975):

“O totalitarismo não se contenta em afirmar, apesar de prova em contrário, que o desemprego não existe: elimina de sua propaganda qualquer menção sobre os benefícios para os desempregados. [...] A recusa em reconhecer o desemprego corrobora – embora de modo inesperado – a velha doutrina socialista de que quem não trabalha não come” (ARENDT, H. As Origens do Totalitarismo, part. III, cap. 2, p. 73)

A exploração da ignorância da maioria da população somada à divulgação de meias verdades, manipulação de estatísticas, mudanças arbitrárias de critérios e metodologia, ausência de fiscalização, além da mera falsificação e corrupção dos fatos garantem o sucesso da propaganda política demagógica. Demagogos modernos, que abdicaram hipocritamente de promover qualquer mudança revolucionária ou deixam de fazer uma simples reforma setorial, pretendem apenas sujeitar a massa com o desejo de impor seus interesses pessoais. De acordo com Zucchini, após atingir o apoio de ampla maioria, tais líderes abandonam o processo de democratização e até o movimento subversivo do sistema sócio político. Ao se tornar um “incontestável” chefe despótico o demagogo moderno satisfaz-se com o consenso da autoridades e instituições existentes em torno do seu suposto carisma.

“Assim sendo, os mecanismos repressivos acentuam, no lugar de diminuir, as características autoritárias do governo e da sociedade, impedindo a tomada de consciência libertadora da massa popular” (ZUCCHINI, G. Op. cit., p. 319)

Ainda que o texto constitucional permaneça “imaculado”, em um governo demagogo, a aparente fachada de ordem jurídica é aplicada de forma simbólica, “altamente seletiva”, como lembra Juergen Habermas [Veja HABERMAS, J. “Caminhos da Destranscendentalização”, in Verdade e Justificação, p. 223]. Não por acaso, Habermas cunhou para essas ocasiões o neologismo “brasilização”, quando quis definir a tendência de democracias ocidentais terem a validade de suas normas desmentidas pela realidade social e faltarem condições efetivas de sua implementação, devido à ausência de vontade política. [Veja HABERMAS, J. Op. cit, p. 223]
De volta a Aristóteles, temos que “o princípio fundamental do governo democrático é a liberdade” [Veja ARISTÓTELES, Idem, 1317b]. Se, paralelo a isso, Herbert Marcuse (1898-1979) estiver correto, havendo “uma conexão essencial entre liberdade e verdade”, explica-se o porque da falsa concepção de liberdade existente no Brasil implicar na contumaz propaganda mentirosa paga pelo atual governo demagogo brasileiro. Depois que a liberdade de consciência é corrompida pela política do “rouba, mas faz”, pouco espaço sobra para a expressão aberta da verdade. [Veja MARCUSE, H. Apud HABERMAS, J. “Correção versus Verdade”, in Idem, p. 267].

Referências Bibliográficas

ARENDT, H. As Origens do Totalitarismo; trad. Roberto Raposo. – Rio de Janeiro: Documentário, 1979.
ARISTÓTELES. A Política; tra. Ivan Lins. – Rio de Janeiro: Ediouro, s/d.
BOBBIO, N. Dicionário de Política; trad. Carmen C. Varriale et al. – Brasília: UnB, 1998.
HABERMAS, J. Verdade e Justificação; trad. Milton C. Mota. – São Paulo: Loyola, 2004.