Padronização de Textos

Metodologia da Pesquisa

Cursos em 4 Módulos de Metodologia da Pesquisa. Imagem de quadro O Geógrafo (1669), de Jan Veemer..

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Padronização de Textos

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Filhas de Odessa

Escultura em bronze do artista estadunidense Frederick Hart (1943-1999) foto: www.jeanstephengalleries.com

A filosofia surge na história em local e período específico. Por volta do século VII a.C., na região da Ásia menor conhecida como Jônia. As cidades-estados jônias propiciavam um ambiente favorável para formação de alguns cidadãos interessados na investigação dos princípios e conceitos fundamentais ao entendimento das transformações que ocorrem na natureza. Em comum, estas cidades-estados (Mileto, Cólofon, Éfeso, Clazômenas, etc.) tinham o comércio, nem sempre pacífico, com povos que faziam parte ora do Império Lídio, ora Persa, e outros países que margeavam o Mediterrâneo (Fenícia, Egito, Cartago). Além disso, cada uma dessas cidades (poleis) mantinha um espaço público, uma espécie de praça aberta chamada Ágora, onde os habitantes se encontravam quando iam ao mercado ou quando queriam debater as decisões políticas que precisavam ser tomadas frente às ameaças constantes de invasões. Independente do regime político de cada polis, também era discutida livremente a melhor forma de administrar as cidades que, em geral, não passavam de 100 mil habitantes.
Neste cenário, alguns cidadãos de origem nobre se destacavam por seus conselhos bem sucedidos e sua sabedoria. Em Mileto, Tales (cc. 624-545 a.C.), o principal dos chamados Sete Sábios da antiga Grécia [1], dedicou-se ao estudo da astronomia e matemática. A Tales foi atribuída a previsão do eclipse solar de 28 de maio de 585 a.C, cuja ocorrência interrompeu o conflito existente entre lídios e medos, segundo nos conta Heródoto de Halicarnasso (485-420 a.C.) em sua História. Outros dois teoremas da trigonometria que foram considerados de sua autoria permitiam medir a altura de qualquer elevação, como monte ou construções (as pirâmides, por exemplo), generalizando as regras praticadas por egípcios e persas nas medições de terras e de colheita. Foi Tales também que proferiu aquela que pode ser considerada a primeira “hipótese científica” ao dizer que “tudo é água”. Com base nas suas observações e na reunião de informações obtidas de sábios de outras culturas, Tales deu início às especulações que provocaram a pesquisa e o debate que se sucedeu sobre qual seria o primeiro princípio ordenador de tudo que existe na natureza (arche).
Depois de Tales, outros pensadores da própria Mileto e outras cidades vizinhas ampliaram as explicações de como as coisas deveriam se comportar no mundo, desde o início. Enquanto Tales afirmava que a água era a origem de tudo, logo em seguida Anaximandro (610-547 a.C.) e Anaxímenes (585-525 a.C.), dois de seus conterrâneos, defenderam que o elemento primordial ora seria “ilimitado” ou “indeterminado” (apeíron), ora seria o “ar” que circunda todas as coisas e sustentaria a Terra plana flutuando no espaço.
O começo da investigação filosófica enfatizava questões da física, ainda na ótica de uma tradição comum aos antigos – o poeta Homero (séc. VIII a.C.) e os egípcios acreditavam que o mundo e a vida tinham surgido das águas. Entretanto, o confronto com o “senso comum”, em sua suposta “sabedoria convencional”, já se fazia sentir nas críticas posteriores de Xenófanes de Cólofon (580-460 a.C.) aos maus hábitos dos aristocratas e a popular personificação dos deuses.
A estranheza causada por essa nova maneira de pensar o mundo – que descartava mitologia e religião como soluções definitivas – logo foi alvo das anedotas e fábulas narradas pelos poetas errantes (aedos e rapsodos) que perambulavam de cidade em cidade. Conta-se que certa noite Tales caminhava por uma estrada às escuras observando atentamente as estrelas, quando de repente caiu em uma vala aberta à sua frente. Foi salvo por uma serva trácia que lhe repreendeu indagando como poderia ser considerado tão sábio se não conhecia nem mesmo o que estava a seus pés. O questionamento sobre a utilidade prática da filosofia começava em seu nascedouro. Mas a resposta veio em seguida. Aristóteles de Estagira (384-322 a.C.) registrou, por sua vez, que, com as descobertas feitas a partir de seus estudos, Tales pôde prever uma boa safra de azeitonas no ano seguinte e assim tratou de alugar antecipadamente todas as prensas de oliva disponíveis por um preço pequeno. Quando a boa colheita se concretizou, Tales tinha em mãos o monopólio da fabricação do azeite em sua região, o que lhe permitiu obter um lucro razoável, pois determinou por quanto quis o preço do uso de suas prensas. Desse modo, Tales mostrou que um filósofo poderia ficar rico se quisesse, embora esse não fosse o objetivo de sua atividade que é a de encontrar o conhecimento verdadeiro.

Continua…