Padronização de Textos

Uma vez estabelecidas a metodologia e a maneira de administrar o projeto, relatórios parciais ou documentos acadêmicos podem ser lançados durante a execução ou ao final de cada etapa, com os objetivos de consolidar os resultados atingidos e informar a fontes financiadoras da pesquisa ou o público em geral. Todo projeto, no entanto, deve apresentar um balanço completo de suas atividades no término dos trabalhos. Desde o lançamento da ideia até a sua conclusão final, os resultados são divulgados na forma de relatórios, artigos, dissertações, monografias ou teses.
A padronização da forma como esses textos devem ser apresentados foi compilada por associações e universidades que estabeleceram normas para orientar sua preparação. O que facilitou a consulta e a referência posterior dos trabalhos, embora tenha lançado mais encargos aos afazeres dos pesquisadores. No Brasil, desde 1940, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é a principal referência na padronização do modo como os documentos devem ser preparados para publicação. Ela faz parte como fundadora da organização internacional de padronização (ISO – International Organization for Standardization).
Manuscrito atribuído a Platão

Textos antigos, como este manuscrito atribuído a Platão, tiveram de receber padronização especial para serem referenciados em pesquisas

Tal formalização tornou-se necessária, a fim de viabilizar a pesquisa, a troca de informações e a indicação de uma obra de maneira inequívoca e coerente pela comunidade científica e acadêmica, diante das diversas edições existentes de um mesmo título ou na atribuição da autoria de um pensamento ao seu devido autor. As normas da ABNT seguem a nomenclatura proposta pela Universidade de Chicago com algumas adaptações ao contexto da língua brasileira [1].
A partir desta normalização, instituições públicas e privadas criam seus manuais no intuito de facilitar a localização das diversas recomendações e permitir a compreensão dos critérios de aprovação adotados para aceitação e publicação de artigos, bibliografias, dissertações, teses ou relatórios. De um modo geral, a estrutura de um trabalho científico divide-se em três partes: pré-textual; textual e pós-textual.
Na parte pré-textual, estão agrupados elementos obrigatórios e opcionais na seguinte ordem:
  • capa;
  • folha de rosto;
  • folha de aprovação;
  • ficha catalográfica;
  • dedicatória (opcional);
  • agradecimentos (opcional);
  • epigrafe (opcional);
  • resumo;
  • abstract (resumo em inglês) ou résumé (resumo em francês);
  • listas de abreviaturas, ilustrações, quadros, figuras e tabelas (opcional);
  • anexos;
  • sumário.
A principal parte de um trabalho é a textual. Nesta são distribuídos, isolados ou em capítulos, a introdução, o desenvolvimento, e a conclusão da maneira que se segue. A introdução é onde se faz a apresentação da obra, explicando os motivos da pesquisa, sua justificativa, abrangência e resultados. O desenvolvimento, por sua vez, divide-se em outras componentes que se submetem a discussão do tema, sua argumentação de forma consistente (sem equívocos) e coerente (sem contradição). Os capítulos que integram o corpo do texto são compostos do seguinte conteúdo:
  • uma revisão da literatura que tratou da matéria e serviu de base para investigação;
  • o método empregado na pesquisa e o material coletado e manipulado no seu levantamento;
  • a disposição dos resultados de forma clara e objetiva com análise dos dados obtidos;
  • a discussão crítica dos resultados deve relacioná-los à teoria proposta e confrontado com a literatura existente;
  • por fim, uma conclusão vem expressar a síntese do trabalho com a dedução lógica fundamentada naquilo que foi desenrolado ao longo do texto e revelado pela pesquisa. Aqui, já não há mais espaço para novas premissas. Seu objetivo final é compreendido em função das partes anteriores do texto.
  • Recomendações finais sugerem a implementação geral da pesquisa ou indicam investigações complementares posteriores.
Depois de preparadas essas duas divisões – pré-textual e textual -, resta expor na última parte pós-textual as referências bibliográficas e os anexos ou apêndice incluído no trabalho. As referências bibliográficas diferem da bibliografia por consistir tão somente das publicações mencionadas no corpo do texto e não de todas obras consultadas na preparação da pesquisa e que ficaram de fora do documento final. Nos anexos, são reunidos os dados suplementares, as citações longas, leis ou documentos que sustentam a argumentação do trabalho. Os anexos são numerados e encabeçados por títulos na sequência da numeração. Quando apenas um suporte é anexado, este deve aparecer na forma de apêndice.

Apresentação Gráfica

Diferente das dissertações, monografias, e teses, os artigos acadêmicos dispensam a parte pré-textual, preservando desta apenas um resumo no vernáculo e outro em língua estrangeira (inglês ou francês). No entanto, independente do tipo de texto a ser elaborado, as recomendações são para o uso do formato retrato do papel A4 (21 x 29,7cm), em folha branca, com corpo do texto impresso em fonte de tamanho 12, em espaço 1,5 ou duplo e só de um lado (anverso), com margens de três centímetros em todos os lados [2] ou com a direita e a inferior com dois centímetros [3]. Todas as páginas da parte pré-textual recebem numeração desde a folha de rosto com algarismos romanos minúsculos. Na textual, nova seção de numeração é aberta com numerais arábicos, indicados da segunda folha em diante – sempre no canto superior direito de cada folha.
As citações diretas com menos de três linhas são inseridas entre aspas no corpo do texto, com nota de rodapé indicando sua autoria. As que passarem de três linhas são formatadas em parágrafos especiais com recuo de quatro centímetros da margem esquerda em fonte menor que 12, sem aspas com autoria indicada entre parênteses no final da passagem [4]. As paráfrases ou citações indiretas são indicadas por notas de rodapé no final dos parágrafos que se inserem.
Ao informar as referências utilizadas nas citações, a ABNT recomenda transcrever, no caso de livros, o sobrenome e nome do autor seguidos do título da obra, subtítulo (se houver); local da publicação; editora, ano e por fim as páginas mencionadas. Quando artigos de revistas forem citados, depois do título, acrescentam-se o nome do periódico, o volume, fascículo e ano da edição, com as páginas do artigo e aquelas onde se encontram as citações. Algumas expressões latinas são usadas para abreviar as repetições como apud (citado por); op.cit. (opere citato, na obra citada); idem (ou id, igual a anterior); e ibidem (ou ibid., na mesma obra) [5].
As notas de rodapé servem para explicar as informações do texto e indicar as bibliografias das citações. São apresentadas na margem inferior da página, separadas do corpo do texto e numeradas com algarismos sobrescritos. Devem ser impressas em fonte tamanho 10. Todas as menções a obras podem ser postas em rodapé; no final do capítulo (na ordem em que aparecem) ou na parte pós-textual, com a ordem alfabética dos sobrenomes. Neste caso as recomendações são de indicação conforme as referências bibliográficas. Quando houver mais de três autores, o sobrenome dos primeiro autor aparece seguido de suas iniciais e da expressão latina et al. (et alter, e outros). As referências bibliográficas têm o parágrafo formatado com deslocamento de um centímetro da margem esquerda em relação a sua primeira linha.
A norma brasileira de referências bibliográficas da ABNT (NBR 2023) padroniza as menções de livros e textos acadêmicos em geral; diversas formas de autoria etc. Em destaque, com o acesso facilitado à rede mundial de computadores, as referências a documentos eletrônicos têm sido cada vez maior. Nessa categoria, recaem os arquivos digitais recuperados ou consultados através de protocolos como os de hipertexto (HTTP); o FTP (sigla inglesa de protocolo de transferência de arquivos); correios eletrônicos (e-mail); ou ainda telnet, gopher ou ponta a ponto (P2P). A forma sugerida para esses documentos é a indicação das frases “Disponível na Internet via [indicar o caminho]” e “Arquivo consultado em [ano da consulta]”, logo depois do título.
Ilustrações, gráficos, tabelas e figuras são inseridas no texto próximo à passagem em que é mencionada. Aparecem, na posição horizontal, centralizadas em relação às margens. Nas legendas, deve constar numeração que as identifiquem com uma breve descrição. As imagens ou tabelas que forem maiores do que o tamanho A4 precisam ser dobradas até atingirem os limites do papel.

Sobre o Conteúdo

Algumas outras observações a respeito do conteúdo dos documentos são importantes para se evitar a reprovação. Em geral, recomenda-se a discussão argumentativa ao longo dos parágrafos. O que vale dizer, seguir uma linha de raciocínio ligando suas premissas a uma conclusão, tendo por fundamento os dados levantados pela investigação. Os parágrafos precisam ter pelo menos três frases expressando uma introdução, o seu desenvolvimento e uma conclusão. Assim, estes devem ter de cinco a dez linhas, a fim de permitir uma compreensão clara da evolução do assunto e o encadeamento das ideias.
Gírias, frases de efeito e estilo coloquial são admitidos em literatura, mas ignorados em trabalhos científicos. Toda retórica vazia deve ser substituída por informações referenciadas de forma clara e inequívoca. As abreviações e siglas são primeiro apresentadas por extenso, sendo postas a seguir entre parênteses. Só depois de indicados os seus nomes completos é que as iniciais podem ser empregadas na substituição dos títulos das instituições, artigos ou expressões. Todas as palavras estrangeiras são grifadas em itálico, assim como títulos de livros e artigos – estes últimos postos entre aspas duplas.
Trabalhos científicos, na maioria dos casos, são escritos na terceira pessoa. Opiniões subjetivas são desaconselhadas. Toda afirmação do autor precisa estar fundamentada em argumentos inseridos na obra ou sustentados por referências a obras e dados externos. São raros os autores acadêmicos que conseguiram escrever textos relevantes do ponto de vista científico com argumentos expostos na primeira pessoa. Por fim, as paráfrases devem ser evitadas ou substituídas por citações diretas, no intuito de separar adequadamente as contribuições do autor no contexto da comunidade acadêmica em que estive inserido.

Notas

1. Ver CHICAGO MANUAL STYLE. CMS Crib Sheet, 2007. Outras formas de padronização foram sugeridas pela American Psychological Association (APA), fonte usualmente adotada por documentos em ciências sociais.

2 Ver RUSSO, M. Et al. Manual para Elaboração e Normalização de dissertações e Teses, § 4, p. 12.

3 Ver ARRUDA, L. C. R. Manual de Pesquisa, §3, p. 13.

4 Em seu manual a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) sugere entrelinha simples com aspas abrindo e fechando a citação. Ver RUSSO, M et. al. Op. Cit., p. 6.

5 Apud RUSSO, M et. al. Idem, §3, pp. 5 a 7.

Referências Bibliográficas

ANGELI, E et al. APA-PURDUE OWL. Disponível na internet via http://owl.english.purdue.edu/owl/owlprint/560/apa-purdue_owl.pdf . Arquivo consultado em 2011.

ARRUDA, L. C. R. Manual de Pesquisa. – Rio de Janeiro: FSB/RJ, s/d.

CHICAGO MANUAL STYLE. CMS Crib Sheet, 2007.

RUSSO, M. Et al. Manual para Elaboração e Normalização de dissertações e Teses. – Rio de Janeiro: UFRJ, 1997.

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